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Fábrica de calçado Ecco fecha unidade em Portugal

Fábrica de calçado Ecco fecha unidade em Portugal

A fábrica portuguesa da multinacional de calçado Ecco, a operar em Santa Maria da Feira, vai encerrar em definitivo, revelaram esta segunda-feira operários à saída das instalações.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Nurphoto via AFP

Esta fábrica em Portugal emprega 632 trabalhadores, que perdem o posto de trabalho e vão para o desemprego. A empresa vai ainda fechar uma unidade no Vietname, com 1400 trabalhadores e vai dispensar cerca de 400 pessoas na Dinamarca, país sede da Ecco, num total de quase 2500 pessoas.

A produção já está suspensa. Haverá pequenos grupos de trabalhadores que vão continuar a trabalhar, até que o encerramento definitivo aconteça, em março ou abril. Os serviços administrativos deverão ser aqueles que permanecem até mais tarde, já que terão de tratar do encerramentos de todas as componentes da fábrica.
Os trabalhadores deverão receber o que está previsto na lei. 
"Sabiamos que algo ia correr mal", diz uma das funcionárias da Ecco, relatando o momento em que recebeu a convocatória para reunião desta segunda-feira. Pensou que seria o cancelamento de um turno, por exemplo, e não o encerramento da fábrica. "Se calhar era mais o coração a pensar, porque gostavamos de trabalhar aqui", diz, acrescentando que é "triste acabar desta forma".
Fernanda Moreira, presidente do Sindicato do Calçado, revela à RTP que o encerramento terá forte impacto, já que há famílias completas que tinham aqui emprego. 
A empresa argumentou aos funcionários que tinha uma capacidade de produção 65% acimas das necessidades decorrentes das vendas. No entanto, o sindicato aponta o dedo a decisões da empresa, nomeadamente a não saída da Rússia.
Em 2009, a Ecco tinha parado a produção em Portugal, mas tinha continuado a funcionar a área de protótipos. Em 2012, devido a problemas na fábrica da Tailândia, Santa Maria da Feira voltou a ter produção, até hoje. 
Como indemnização, cada funcionário terá depois direito a um salário por cada no de serviço, o que o sindicato reconhece como acima do previsto na lei.
Contactada pela Lusa, a administração da Ecco Portugal não revelou qual o seu volume de negócios em 2025, mas atribuiu o encerramento "total e definitivo" a uma "reestruturação mais ampla da estrutura produtiva global da Ecco".

"Esta é uma decisão particularmente difícil para a empresa, tendo em conta a consciência do impacto que terá nos trabalhadores, nas suas famílias e na comunidade local", afirma a administração da fábrica portuguesa em comunicado.

A reestruturação internacional também irá envolver o fecho da unidade que a Ecco tem no Vietname e está ainda a equacionar "uma redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do Grupo, incluindo na Dinamarca", adiantou.

O objetivo, justifica a empresa, "é adaptar a estrutura e capacidade produtivas do Grupo às necessidades atuais e previstas do negócio".
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